quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ainda há esperança

  "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las." Aurélio Agostinho

  Inauguramos o blog com essa frase porque talvez ela resuma, da melhor maneira, o sentimento que paira em você, em nós, em todos que ainda possuem senso de justiça.
Na noite de hoje, os “nobres” deputados federais absolveram por 265 votos a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).

  Como se sabe, a deputada do Distrito Federal foi filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa (o delator do escândalo chamado “Mensalão do DEM”) em vídeo divulgado em 2009, da operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal.



  Apesar de, comprovadamente, a parlamentar ter recebido dinheiro de propina (e não negar tal fato) na noite de ontem vigorou a impunidade e a corrupção no Congresso. E, por mais que a defesa encontre brechas na legislação, que favoreçam a parlamentar, não existe explicação plausível para justificar a imoralidade do voto a favor da Roriz, por parte dos demais parlamentares.

  Esse fato nos provoca a indignação.

  Eis que, em meio a tanto joio, surgem três grãos de trigo:
Chico Alencar, Ivan Valente e Jean Wyllys. Parlamentares que tem sua vida pautada e dedicada a classe trabalhadora. E que, para os que acompanharam o vexame da absolvição da Jaqueline, ver a atuação dos três cria um sentimento de esperança.



  Mas como é possível saber se não se tratam de apenas mais três oportunistas? Que pertencem a um partido cheio de oportunistas? Que visa o poder, o dinheiro. E que, por mais que tenham boas intenções, caso ocupem a cadeira da Presidência da República, não vão entrar no jogo da corrupção?

  Para o PSOL, é simples responder questões como essas. Se o oportunismo fosse o fator que nos condiciona a participação do processo político e eleitoral, seríamos governo.

  O PSOL foi fundado em 2004, e é uma dissidência do PT. Temos como objetivo construir um país socialista. Isso já nos diferencia dos demais. Afinal, o capitalismo inexiste sem três fatores: lucro, exploração do homem pelo homem e corrupção.
Nosso contraste começa por aí.

  Poderíamos ser Governo. Não somos por opção. O PSOL foi construído após diversos indícios da prostituição do Partido dos Trabalhadores ao capital. Eles que, há alguns anos, antes de serem eleitos já davam sintomas de fortes modificações ideológicas, após assumirem a Presidência, mostraram para que vieram. Mantiveram a ordem, através da mesma plataforma neoliberal do Governo FHC.


  O PSOL não reivindica apenas pequenas mudanças na estrutura deste sistema. O PSOL reivindica um novo sistema. Por isso, somos a favor da abolição do financiamento privado de campanhas eleitorais, onde começa a corrupção (um dos pilares que sustenta este sistema).

  Por questões de princípio, os membros-fundadores e os que vieram após a fundação do partido, estão engajados para reconstruir aquilo que se perdeu no tempo. Um partido de esquerda no Brasil. Não existe hoje, além do PSOL, um partido de esquerda com representação parlamentar.

  Por mais desanimador que seja o quadro da política brasileira, enquanto houver a esperança de mudança, compensará a organização da sociedade em partidos políticos. Na atual conjuntura política do país, o PSOL é única referência de esquerda.

  Cabe a você, portanto, optar. Existem dezenas de partidos. Mas também existe o partido da coerência. Preste atenção em nossa atuação parlamentar e verá que não é um slogan publicitário ou clichê partidário. É a definição exata para atuação do PSOL.

  Eleitores e militantes de coragem constroem mandatos combativos e corajosos. A indignação é natural. A coragem, apesar de se manter na inércia da maior parte das pessoas, hora ou outra se libertará (prova disso é a primavera árabe, a greve geral no Chile, protesto dos jovens na Inglaterra). Por isso, temos motivos para acreditar que ainda há esperança!

  E assim como nós iniciamos o texto, o encerraremos, acrescentando apenas uma frase do maior revolucionário que a América Latina já teve.

  "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las." Aurélio Agostinho

‎  "Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros." Ernesto Che Guevara.


(Texto: 30/08/2011)