terça-feira, 22 de novembro de 2011

Saudades da Ditadura

Saudoso da ditadura
E de sua repressão
Alckmin pôs a policia
Com armas, balas e cão
E ainda gás pimenta
E  mais de um pelotão
Bem no interior da USP
E agrediu a educação.

Porém não foi surpresa
Esse feito temerário
Que encheu de brucutus
Um campus universitário
Coisa típica de tucano
Cujo infeliz ideário
Aposta na repressão
De estudante e operário.

Ao invés de investir
E melhorar sua estrutura
Incentivando projetos
De maior envergadura
Apostando no ensino
E nas coisas da cultura
Dentro da USP o tucano
Botou sua ferradura.

Sua polícia no campus
Aprontou um carnaval
Pautando sua rotina
Como se fosse normal
Revistar todo estudante
Dando nele uma geral
Como se suspeito fosse
Ou até fosse marginal.


Para que serve a polícia
E qual a sua serventia
Num campus universitário
Um local que deveria
Nem arma ser ostentada
E nenhuma anomalia
Que ali dentro da campus
Quebra sua autonomia.

E quando a universidade
Perde sua autonomia
De imediato também perde
O prazer e a alegria
De estudar e produzir
E colher com alegria
O bom fruto que sustenta
Sonhos de democracia.

Porém do lado de fora
Como já é costumeiro
A imprensa desinformou
E convenceu o brasileiro
Que o movimento na USP
“Coisa só de maconheiro”
Merecia da polícia
Um corretivo certeiro.

E a direita esclerosada
Deitou e rolou sobre o fato
E aplaudiu de norte a sul
A truculência e o maltrato
Coisas que na ditadura
Usando do mesmo aparato
General mandou fazer
Sem ter o mínimo recato.


Os fatos recentes da USP
Mostram com precisão
Que Alckmin o grão tucano
Aprendeu bem a lição
E imitando os generais
Mostrou a eles gratidão
Pelo ensinamento feito
Na arte da repressão.

Completando o seu feito
E com grosseira ironia
Prometeu aos estudantes
Ensinar democracia
Na base da tropa de choque
Com muita pancadaria
Jogando na lata de lixo
A idéia de autonomia.

Silvio Prado

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pela liberdade dentro da universidade

        Estamos acompanhando os recentes acontecimentos da USP. Lamentamos profundamente a postura repressiva do Estado e, de igual maneira, a forma com que a mídia tem abordado os acontecimentos.


“É inaceitável que um espaço dedicado á reflexão, ao trabalho, à política, às artes e também à recreação de seus jovens estudantes seja ameaçado pela força policial. Uma Universidade tem o dever de levar sua análise crítica ao limite porque é a única que pode fazê-lo. Seus equívocos devem ser corrigidos por ela mesma. Se é incapaz disso, não é mais uma universidade” - Lincoln Secco, Livre Docente em História Contemporânea na USP

Estudantes em passeata pedindo a saída da PM (foto:AE)
A presença ostensiva da Polícia Militar, após o lastimável episódio do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, não representa a segurança da comunidade universitária, considerando a postura das forças de segurança em agir em defesa do Estado, não do povo.

A polícia no Brasil é um órgão militarizado e de repressão, que tenciona ainda mais a relação com povo em uma sociedade pautada pela desigualdade. As heranças do período da ditadura, a qual direcionou a formação militar na contramão dos direitos humanos, é mantida ainda hoje através da política de segurança pública reacionária do governo tucano (que reverencia o golpe de 1964 como a “Revolução de Março”).

São lamentáveis as cenas da desocupação pelos “brucutus”, que utilizaram de força e contingente desproporcional, para retirar os 72 estudantes DESARMADOS que portavam apenas livros em suas mãos.

É difícil avaliarmos se aquele era o momento adequado para realizar o ato, não estávamos a par das discussões da comunidade universitária. Porém, apoiamos a mobilização dos estudantes e suas legítimas reivindicações.

Repudiamos, portanto, a presença da Polícia Militar no ambiente universitário. A universidade é um espaço onde a liberdade é essencial, porque é através dela que se dá a produção intelectual, na qual a USP é referência.

Apoiamos o movimento “Fora Rodas”, reitor nomeado pelo ex-governador tucano, José Serra, ignorando a burocracia universitária e a comunidade acadêmica.

Da mesma maneira, nos indignamos com a cobertura dos grandes veículos de comunicação, mantedores da tradição de criminalizar toda organização popular e rebaixar as discussões que podem ser retiradas do caso, como a descriminalização da maconha, a desmilitarização da polícia brasileira (uma das que mais matam no mundo) e a nomeação de João Grandino Rodas à reitoria, atitude que resgata a política dos governos militares da não democratização na escolha do reitor da Universidade de São Paulo.

Nós do Núcleo de Juventude do PSOL de Sorocaba deixamos, através desse texto, nossa solidariedade aos estudantes e sua organização através da greve geral, instalada com a organização dos companheiros do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Segurança, autonomia da universidade e liberdade aos estudantes, SIM. Policia, autoritarismo e violência, NÃO!!!